SP tem potencial para produzir 4,6 BI de M³ de biogás ao ano

Published on
October 5, 2021

O estado de São Paulo tem potencial para produzir mais de 4,6 bilhões de m³ de biogás por ano a curto prazo. Já em se tratando do biocombustível proveniente de resíduos sólidos urbanos (RSU), o valor poderia chegar a 0,51 bilhão de m³ por ano.

As informações foram divulgadas nesta terça-feira (5 de outubro) durante webinar sobre o potencial energético do biogás de RSU, como estratégia de descarbonização do estado. O debate segue alinhado às ações paulistas que visam mitigar os resultados oriundos das emissões dos gases do efeito estufa, como é o caso do Plano de Ação Climática (NetZero 2050) – em desenvolvimento – e das campanhas Race to Zero e Race to Resilience da Organização das Nações Unidas (ONU).

O encontro on-line foi realizado pela Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (SIMA), por meio de seu Comitê de Integração de Resíduos Sólidos (CIRS), em parceria com o Brazil Energy Programme (BEP ou Programa de Energia para o Brasil), iniciativa do governo britânico, que tem experiência reconhecida em tecnologias de baixo carbono.

Os dados foram apresentados pelo BEP a partir de análises do ciclo de vida de plantas de biogás de uma série de parceiros, e segundo a líder do componente Aproveitamento Energético de Resíduos do BEP/Instituto 17, Leidiane Mariani, demonstram a capacidade disponível para o máximo reaproveitamento de resíduos. “O potencial de produção de biogás de RSU seria o equivalente a mais de 1 bilhão de megawatts/hora por ano”, destacou.

Ainda no decorrer do evento, a especialista apresentou três cenários para a geração de biogás a partir de resíduos, enaltecendo o ideal para o caso dos domiciliares, com segregação já na fonte. Segundo Leidiane, esse processo geraria materiais orgânicos de alta qualidade, capazes de resultar em uma biodigestão anaeróbica (processo de decomposição da matéria orgânica por meio da ausência de oxigênio) com alta eficiência e, por sua vez, produzir um digestato (material proveniente da biodigestão) de uso nobre como biofertilizante.

O coordenador de Petróleo, Gás e Biocombustíveis da SIMA, Ricardo Cantarani, também fez explanações, dando destaque às estratégias de descarbonização do estado via produção de biogás de RSU. “O estímulo à produção de biogás e biometano de diferentes substratos, como resíduos do setor sucroenergético, de estações de tratamento de esgoto e aterros sanitários, constitui um dos pilares da política energética do Estado, seja por promover a ampliação das fontes renováveis e a diversificação da matriz com projetos de geração distribuída, seja por estimular investimentos, desenvolvimento regional e o aproveitamento racional dos recursos disponíveis, fortalecendo toda a cadeia de valor”.

Segundo Cantarani, o biogás, que pode ser utilizado para geração de energia, contribui para a descarbonização e redução das emissões de poluentes, que constituem os resultados esperados com a adesão de SP às campanhas da ONU, por exemplo. “Essa ação do Governo do Estado denota o esforço em atender a demanda da sociedade para melhoria da qualidade de vida, com geração de energia limpa e mitigação dos impactos das mudanças climáticas, temas, estes, tratados de forma integrada”.

Autoridades e demais participantes  

Também participaram do webinar o secretário-executivo da SIMA, Luiz Ricardo Santoro, o deputado federal Arnaldo Jardim, o diretor de Controle e Licenciamento Ambiental da CETESB, Gláucio Attorre Penna, o coordenador do CIRS, José Valverde, a diretora do BEP e representante do Reino Unido, Clarissa Vargas, o representante da Empresa Brasileira de Pesquisa Energética (EPE), Luciano de Oliveira, e da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), Tamar Roitman.

O webinar completo está disponível do canal da SIMA no Youtube. Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=OExGDyowGs8

*matéria originalmente publicada em: https://www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br/2021/10/sp-tem-potencial-para-produzir-46-bi-de-m%c2%b3-de-biogas-ao-ano/